Trilha das lamentações
Andando por essa trilha cheia de cacos
Que perfuram meus pés
Esses meus pés descalços tropeçaram em um diamante
Tão brilhante
Tão valioso
Que me iludi ao pensar
Que poderia recolhê-lo
E guardá-lo por entre minhas mãos gélidas
Se a cada passo em que avanço
O tropeço é maior do que o anterior...
Mas por esse precioso tesouro
Me recomponho e continuo a caminhar
Porém com a certeza de que em algum momento
Sendo imprevisível esse instante tão inoportuno
Imprevisíveis as intensidades de meus tropeços
E imprevisíveis os lugares onde ocorrerão...
Mas ocorrerão
Sempre ocorrem...
E se em um deles eu derrubar o diamante
Esse se quebrará
Pois conservado entre minhas mãos asquerosas
Perdeu o brilho que lhe pertencia
Prefiro então
Deixar o diamante na estrada
Para que alguém que o lustre todos os dias
O leve
E este continue com seu brilho
Enquanto eu me atrapalho eternamente nos meus tropeços sem fim
E perco a minha luz, que tende a se apagar sem sua presença
(Ana Paula Miloch)
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