Eles se gabavam por serem afluentes
Rios correntes e por nunca secarem
Mas o afeto deles era tão escasso
Que não passava de um traço no mapa
Tu não te gabas por seres mar
E por marcares um vasto horizonte
Por não desaguares em corrente
Já que és um vasto e fundo hirto
Molhei meus pés tantas vezes
Em pequenas possibilidades
E quando me deparei com teu infinito
Submergi com deleite e vigor
Marcaste-me a alma não de feridas
Mas de atitudes plausíveis e delicadas
És tão estupendo que me tragas
E tuas ações precedem as falas
Clamam-te, ó mar, que não deságuas
Louvam-te por nunca secares
Por afogares a ingratidão em reciprocidade
Por transbordares o sonho em realidade
Ó mar, quanto do teu sal
São pérolas de equidade?
Por te cruzarmos, quantos se jogaram,
Para pertencerem a ti e amar
Miloch, Ana
Métrica Filosófica
segunda-feira, 4 de junho de 2018
sábado, 27 de agosto de 2016
O que eu sou afinal?
Eu sempre quis ser a poesia de alguém
Que alguém se inspirasse em mim para compor versos ilustres
Nunca imaginei que me tornaria o poeta
Que encontraria minha poesia em alguém
Hoje eu encontro poesia em tudo
Existe mais poesia dentro de mim do que eu desejo
Não sei se me tornei a poesia
Ou se a poesia se tornou eu
Mas como sei que nunca vou encantar pessoas o suficiente com minhas palavras
Do que a poesia é capaz de encantar e moldar em séculos
Vou dizer que sou um resquício de poesia que se perdeu do verso hoje inerte
Pois queria dançar
Dançar pela alma das tantas almas vazias e transbordadas
Sou uma letra da palavra de um dos tantos versos
Que fazem parte de uma das imensas estrofes
Que compõem o mundo da arte
E essa letra queria ser livre
Queria passear pelos outros tantos versos
A fim de encontrar letras que criariam com ela uma palavra usual
Uma letra que está vagando pela poesia inerte...
Uma poetisa que se tornou a poesia
Ou uma poesia que assumiu papel de poeta
(Ana Miloch)
Eu sempre quis ser a poesia de alguém
Que alguém se inspirasse em mim para compor versos ilustres
Nunca imaginei que me tornaria o poeta
Que encontraria minha poesia em alguém
Hoje eu encontro poesia em tudo
Existe mais poesia dentro de mim do que eu desejo
Não sei se me tornei a poesia
Ou se a poesia se tornou eu
Mas como sei que nunca vou encantar pessoas o suficiente com minhas palavras
Do que a poesia é capaz de encantar e moldar em séculos
Vou dizer que sou um resquício de poesia que se perdeu do verso hoje inerte
Pois queria dançar
Dançar pela alma das tantas almas vazias e transbordadas
Sou uma letra da palavra de um dos tantos versos
Que fazem parte de uma das imensas estrofes
Que compõem o mundo da arte
E essa letra queria ser livre
Queria passear pelos outros tantos versos
A fim de encontrar letras que criariam com ela uma palavra usual
Uma letra que está vagando pela poesia inerte...
Uma poetisa que se tornou a poesia
Ou uma poesia que assumiu papel de poeta
(Ana Miloch)
Trilha das lamentações
Andando por essa trilha cheia de cacos
Que perfuram meus pés
Esses meus pés descalços tropeçaram em um diamante
Tão brilhante
Tão valioso
Que me iludi ao pensar
Que poderia recolhê-lo
E guardá-lo por entre minhas mãos gélidas
Se a cada passo em que avanço
O tropeço é maior do que o anterior...
Mas por esse precioso tesouro
Me recomponho e continuo a caminhar
Porém com a certeza de que em algum momento
Sendo imprevisível esse instante tão inoportuno
Imprevisíveis as intensidades de meus tropeços
E imprevisíveis os lugares onde ocorrerão...
Mas ocorrerão
Sempre ocorrem...
E se em um deles eu derrubar o diamante
Esse se quebrará
Pois conservado entre minhas mãos asquerosas
Perdeu o brilho que lhe pertencia
Prefiro então
Deixar o diamante na estrada
Para que alguém que o lustre todos os dias
O leve
E este continue com seu brilho
Enquanto eu me atrapalho eternamente nos meus tropeços sem fim
E perco a minha luz, que tende a se apagar sem sua presença
(Ana Paula Miloch)
Andando por essa trilha cheia de cacos
Que perfuram meus pés
Esses meus pés descalços tropeçaram em um diamante
Tão brilhante
Tão valioso
Que me iludi ao pensar
Que poderia recolhê-lo
E guardá-lo por entre minhas mãos gélidas
Se a cada passo em que avanço
O tropeço é maior do que o anterior...
Mas por esse precioso tesouro
Me recomponho e continuo a caminhar
Porém com a certeza de que em algum momento
Sendo imprevisível esse instante tão inoportuno
Imprevisíveis as intensidades de meus tropeços
E imprevisíveis os lugares onde ocorrerão...
Mas ocorrerão
Sempre ocorrem...
E se em um deles eu derrubar o diamante
Esse se quebrará
Pois conservado entre minhas mãos asquerosas
Perdeu o brilho que lhe pertencia
Prefiro então
Deixar o diamante na estrada
Para que alguém que o lustre todos os dias
O leve
E este continue com seu brilho
Enquanto eu me atrapalho eternamente nos meus tropeços sem fim
E perco a minha luz, que tende a se apagar sem sua presença
(Ana Paula Miloch)
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
A lágrima da salvação
Corri por campos
Corri por campos
Rodeados de flores
Cercados por milhões de amores
Perfumados pela confiança
Inspirei aquele aroma fresco
Tão puro
Tão verdadeiro...
Até que senti o aroma antes doce
Criar cheiro de mofo
Tão estragado
Tão acabado...
Me desesperei e então corri
Corri em direção ao precipício
Escorreguei e caí
Caí em um rio escuro
Poluído pela ingratidão
Cada gota que nadava ao meu redor
Me lembrava de alguém
Que um dia fez as águas cristalinas
Que refletiam meus sonhos
Virarem petróleo
Que gruda
Impregna
Não sai
Estava me afundando em piche
Sem esperanças
Sem nada que pudesse me salvar
Mas então uma gota
Uma única gota
Tão unica
Quanto o estilo que rege a composição de uma obra
Caiu sobre meus pensamentos
Ela escorregou por meus olhos
Fazendo com que se abrissem
E encontrassem as esferas mais brilhantes...
Esferas castanhas como a terra
Do lugar de onde eu vim
E essa gota deslizou por cada parte de mim
Lavando o que antes não podia ser lavado
Passando por meus braços
Fazendo com que minhas mãos segurassem as suas
Que me tiraram de lá tão facilmente...
E então você correu ao meu lado
De volta para o jardim
Mas esse não era como o outro
Pois eu estava dentro do seu coração
Um lugar de onde não pretendo sair
Pois minha morada se fez ali...
Mas e a gota? A gota que me salvou?
Aquela que me trouxe até você?
Uma lágrima solitária
Que se perdeu das esferas castanhas
(Ana Paula Miloch)
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