Corri por campos
Rodeados de flores
Cercados por milhões de amores
Perfumados pela confiança
Inspirei aquele aroma fresco
Tão puro
Tão verdadeiro...
Até que senti o aroma antes doce
Criar cheiro de mofo
Tão estragado
Tão acabado...
Me desesperei e então corri
Corri em direção ao precipício
Escorreguei e caí
Caí em um rio escuro
Poluído pela ingratidão
Cada gota que nadava ao meu redor
Me lembrava de alguém
Que um dia fez as águas cristalinas
Que refletiam meus sonhos
Virarem petróleo
Que gruda
Impregna
Não sai
Estava me afundando em piche
Sem esperanças
Sem nada que pudesse me salvar
Mas então uma gota
Uma única gota
Tão unica
Quanto o estilo que rege a composição de uma obra
Caiu sobre meus pensamentos
Ela escorregou por meus olhos
Fazendo com que se abrissem
E encontrassem as esferas mais brilhantes...
Esferas castanhas como a terra
Do lugar de onde eu vim
E essa gota deslizou por cada parte de mim
Lavando o que antes não podia ser lavado
Passando por meus braços
Fazendo com que minhas mãos segurassem as suas
Que me tiraram de lá tão facilmente...
E então você correu ao meu lado
De volta para o jardim
Mas esse não era como o outro
Pois eu estava dentro do seu coração
Um lugar de onde não pretendo sair
Pois minha morada se fez ali...
Mas e a gota? A gota que me salvou?
Aquela que me trouxe até você?
Uma lágrima solitária
Que se perdeu das esferas castanhas
(Ana Paula Miloch)
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