sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A lágrima da salvação 

Corri por campos
Rodeados de flores
Cercados por milhões de amores 
Perfumados pela confiança
Inspirei aquele aroma fresco 
Tão puro
Tão verdadeiro...
Até que senti o aroma antes doce
Criar cheiro de mofo
Tão estragado
Tão acabado...
Me desesperei e então corri
Corri em direção ao precipício 
Escorreguei e caí
Caí em um rio escuro 
Poluído pela ingratidão
Cada gota que nadava ao meu redor 
Me lembrava de alguém 
Que um dia fez as águas cristalinas
Que refletiam meus sonhos 
Virarem petróleo
Que gruda 
Impregna
Não sai
Estava me afundando em piche 
Sem esperanças
Sem nada que pudesse me salvar 
Mas então uma gota
Uma única gota
Tão unica
Quanto o estilo que rege a composição de uma obra
Caiu sobre meus pensamentos
Ela escorregou por meus olhos 
Fazendo com que se abrissem
E encontrassem as esferas mais brilhantes...
Esferas castanhas como a terra
Do lugar de onde eu vim
E essa gota deslizou por cada parte de mim 
Lavando o que antes não podia ser lavado 
Passando por meus braços
Fazendo com que minhas mãos segurassem as suas 
Que me tiraram de lá tão facilmente...
E então você correu ao meu lado 
De volta para o jardim
Mas esse não era como o outro
Pois eu estava dentro do seu coração 
Um lugar de onde não pretendo sair
Pois minha morada se fez ali...
Mas e a gota? A gota que me salvou?
Aquela que me trouxe até você?
Uma lágrima solitária
Que se perdeu das esferas castanhas
(Ana Paula Miloch)

Nenhum comentário:

Postar um comentário