Eles se gabavam por serem afluentes
Rios correntes e por nunca secarem
Mas o afeto deles era tão escasso
Que não passava de um traço no mapa
Tu não te gabas por seres mar
E por marcares um vasto horizonte
Por não desaguares em corrente
Já que és um vasto e fundo hirto
Molhei meus pés tantas vezes
Em pequenas possibilidades
E quando me deparei com teu infinito
Submergi com deleite e vigor
Marcaste-me a alma não de feridas
Mas de atitudes plausíveis e delicadas
És tão estupendo que me tragas
E tuas ações precedem as falas
Clamam-te, ó mar, que não deságuas
Louvam-te por nunca secares
Por afogares a ingratidão em reciprocidade
Por transbordares o sonho em realidade
Ó mar, quanto do teu sal
São pérolas de equidade?
Por te cruzarmos, quantos se jogaram,
Para pertencerem a ti e amar
Miloch, Ana